UFRJ - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA

Área Restrita

Esqueci minha senha

Publicações

Sobre a Psicose

Sobre a Psicose
Organizador: Joel Birman
Rio de Janeiro
Contra Capa Livraria, 1999

Sumário

Apresentação

Joel Birman

A psicose e a feminilidade: uma releitura do caso Schreber de S. Freud

Joel Birman

Em busca de uma metapsicologia da melancolia

Teresa Pinheiro

As estruturas freudianas da psicose e sua reinvenção lacaniana

Tania Coelho dos Santos

A 'psicose lacaniana': elementos fundamentais da abordagem lacaniana das psicoses

Joël Dor

A psicose e o discurso da ciência

Waldir Beividas

Prova de realidade e/ou rejeição: psicose e ciência

Ana Beatriz Freire

Equilíbrio psicótico, praticável e metáfora delirante

Ginette Michaud

 

Apresentação

Repensando a psicanálise


Este livro é o resultado de um trabalho conjunto de pesquisa estabelecido entre o Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e o Laboratoire de Psychopathologie Fondamentale et Psychanalyse, da Universidade de Paris VII. Este intercâmbio científico foi firmado pela CAPES, do lado brasileiro, e pela COFECUB, do lado francês. O acordo de colaboração científica teve a duração de cinco anos; durante este período, foram realizadas a cada ano atividades tanto no Rio de Janeiro como em Paris, que consistiram fundamentalmente na apresentação das investigações conduzidas pelos diferentes pesquisadores, em conferências e seminários para os cursos de Mestrado e Doutorado. Além disso, bolsistas brasileiros e franceses, que realizaram o doutoramento em psicanálise, tiveram a possibilidade de permanecer um ano nas instituições citadas, a fim de aprofundarem os seus projetos de pesquisa.

A problemática central desta pesquisa bilateral foi a psicose. Era esta a questão crucial que interessara aos dois centros de pesquisa em colaboração, posto que a psicose por si própria condensa uma série de indagações que põem em questão os sujeitos e os pressupostos da teoria psicanalítica. Assim, além do interesse clínico e teórico que a psicose sempre representou para psicanálise Š esta desde os seus primórdios procurou realizar uma leitura original sobre a experiência das psicoses, assim como uma direção para a sua cura Š ela nos seduzia como tal ao apontar para os limites do discurso psicanalítico.Isso não quer dizer, bem entendido, que nos conformamos com a suposta impotência da psicanálise ante as psicoses. Não é disso que se trata, pois não cremos nesta impossibilidade e impotência terapêutica da psicanálise. Longe disso, aliás. A leitura psicanalítica das psicoses em muito contribuiu para o avanço das novas modalidades de assistência e de terapêutica das psicoses, retirando-as do limbo asilar e de sua alocação nos desertos concentracionários dos ditos hospitais psiquiátricos. Dito de outro modo, a interpretação psicanalítica das psicoses permitiu a construção efetiva de um outro olhar sobre elas, humanizando o sistema de cuidados.

Porém isso não é tudo. A psicose indaga de maneira tão fundamental a teoria psicanalítica, que cem anos após a sua invenção, não temos absolutamente o direito de ignorar esse fato. Isso é o mínimo que hoje temos de reconhecer sobre as psicoses, se há a intenção de entreabrir novas sendas criativa sem sua pesquisa. Não reconhecê-lo é girar no vazio, correndo atrás do próprio rabo, isto é, repetindo as velhas teses sem avançar um só milímetro no que diz respeito à obscuridade e às incertezas que elas impõem à psicanálise. Ora, isso quer dizer que incorporamos aquilo que nos foi legado das investigações de Freud, Abraham, Ferenczi, Melaine Klein, Winnicott, Lacan e outros, mas reconhecemos que é preciso continuar nas trilhas que estes nos ofereceram com a abertura de novos campos, possibilitados pelo que as psicoses continuam a causar e ante o que não podemos ficar cegos e surdos.

Foi esta a nossa intenção na pesquisa conjunta, na qual encontramos nos dois lados do Atlântico não só as mesmas perplexidades, como também os mesmos ecos. Não obstante a distância que nos separa, de diferentes ordens, aliás, participamos das mesmas dúvidas e indagações a respeito dos impasses gerados pelas psicoses. Em outras palavras, o que aqui nos reúne é uma tentativa de começar a repensar a psicanálise a partir da problemática das psicoses. Isso quer dizer que, para todos nós, as psicoses nos fazem trabalhar e fazem trabalhar a teoria psicanalítica. É este o maior reconhecimento que podemos fazer a uma questão fundamental, teórica e clínica, à medida que nos deixamos interpelar por sua obscuridade e assumimos as nossas incertezas frente a isso. Acreditamos que assim estaremos colaborando para avançar um pouco mais na pesquisa sobre as psicoses e na indagação crítica do discurso psicanalítico.

Em seqüência a este livro de abertura de uma série sobre psicanálise, o Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ organiza a publicação nos próximos dois anos de mais três títulos, que serão constituídos a partir de sua produção científica. Os seus temas serão os seguintes: psicanálise e histeria; metapsicologia clínica; e psicanálise e novas subjetividades. Esperamos assim tornar pública parte de nossa produção científica e colaborar para a renovação da psicanálise no Brasil.

« volta

© 2014 Todos os direitos reservados a UFRJ - Programa de Pós Graduação em Teoria Psicanalítica
Desenvolvido por Plano B