UFRJ - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA

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Psicanálise e formas de subjetivação contemporâneas

Psicanálise e formas de subjetivação contemporâneas
Organização: Teresa Pinheiro
Rio de Janeiro
Contra Capa Livraria, 2003

Sumário

Apresentação

Teresa Pinheiro

Soberania, crueldade e servidão: mal-estar, subjetividade e projetos identitários na modernidade

Joel Birman

A formação de identidade na sociedade contemporânea

Regina Herzog
Ricardo Salztrager

Novas subjetividades ou novos sintomas? 

Maria Cristina Antunes
Tania Coelho dos Santos

A face melancólica do masoquismo

Marie-Claude Lambotte

As novas subjetividades, a melancolia e as doenças auto-imunes

Teresa Pinheiro
Julio Sergio Verztman

Dificuldades atuais na conquista de uma posição sexual

Graziele Maia

Introdução: o que aprendemos com o autismo acerca das novas formas de subjetividade

Ana Beatriz Freire
Angélica Bastos

Autismo - o sujeito e o Outro. Algumas considerações

Ana Beatriz Freire
Lísia Wheatley
Roberta Costa

Entre o ser e o sujeito: a alienação. Interrogações acerca do autismo

Angélica Bastos


Apresentação

O arcabouço teórico da psicanálise teve como base a clínica de Freud com as histéricas. Desde A interpretação dos sonhos, contudo, o mundo sofreu mudanças extraordinárias, e as atuais formas de sofrimento psíquico não são as mesmas do fim do século XIX e início do século XX. O desenvolvimento da industrialização, o estabelecimento da sociedade de consumo e inúmeras invenções tecnológicas - satélites e foguetes espaciais, internet, pílulas anticoncepcionais, antidepressivos e ansiolíticos, fecundação in vitro e clonagem de animais etc. - configuram questões e impasses diferentes daqueles que caracterizaram a época em que a psicanálise foi concebida. Transformações geopolíticas, edificação e queda do muro de Berlim, globalização, duas Grandes Guerras Mundiais, guerras preventivas, nunca se matou tanto e de maneiras tão sofisticadas. A indústria bélica e as premências econômicas ditam o rumo do mais sangrento e cruel século de toda a história da humanidade.

Neste livro, o leitor encontrará, à luz da contemporaneidade, artigos que abordam essas questões por meio de diferentes pontos de vista, todos eles ancorados em conceitos criados e repensados na clínica psicanalítica. Expressão de trabalhos de pesquisa que vêm sendo realizados no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tais artigos tentam contribuir para a consolidação dos desdobramentos críticos da psicanálise na universidade, a fim de fazer valer sua pertinência no exame das transformações sociais, políticas e econômicas em curso.Em "Soberania, crueldade e servidão: mal-estar, subjetividade e projetos identitários na modernidade", Joel Birman assinala que a identidade é um problema teórico que ocupa lugar estratégico na atualidade, perpassando as diferentes ciências humanas e se inscrevendo nos registros social e político. Alerta, com muita propriedade, que "a psicanálise não pode ficar alheia a essa interpelação, sob o risco de se apartar do que se impõe na contemporaneidade como imperativo ético e político". Sua proposta visa a tomar a questão da identidade sob a ótica da psicanálise freudiana e pós-freudiana, com o intuito de contribuir para a análise das manifestações de soberania, crueldade e servidão no mundo contemporâneo.

Regina Herzog e Ricardo Salztrager trabalham as questões da identidade e da identificação valendo-se da leitura de algumas obras fundamentais para a compreensão das transformações culturais da atualidade que indicam a falência da autoridade simbólica. Para isso, se propõem a revisitar a trama conceitual freudiana e indagar a pertinência de um modelo calcado na autoridade simbólica para o tratamento do que Julia Kristeva considera as novas formas de doença da alma.

"Dificuldades atuais na conquista de uma posição sexual", de Graziele Maia, aborda os desdobramentos das dificuldades que o sujeito contemporâneo tem de enfrentar em seus modos de engajamento nas relações amorosas e na organização familiar. De acordo com seu entendimento, essas mudanças decorrem do apagamento da diferença sexual e põem em questão a manutenção da operatividade da trama edipiana, o que não raro implica a redução dos recursos simbólicos com os quais o sujeito atua socialmente.

Tânia Coelho dos Santos e Maria Cristina Antunes se propõem a discutir se existe ou não ruptura entre a modernidade e o contemporâneo, e para isso percorrem os deslocamentos teóricos da noção de gozo na obra de Jacques Lacan com o surgimento da noção de discurso.

Os demais artigos enfocam aspectos mais clínicos e estão inseridos em pesquisas desenvolvidas com outras instituições, como a Universidade de Paris XIII e o Instituto Philippe Pinel.Em "A face melancólica do masoquismo", Marie-Claude Lambotte retoma a questão sempre levantada pela escuta de pacientes melancólicos: devemos considerá-los sádicos, em função do lugar de impotência que reservam ao analista, ou masoquistas, em razão do modo como se posicionam em relação seja a si próprios, seja aos outros e ao mundo?

Meu artigo com Julio Sergio Verztman procura apresentar a pesquisa que vem sendo realizada com pacientes portadores de lúpus e pacientes melancólicos, no âmbito do acordo com o Hospital Clementino Fraga Filho e o IPUB. Discutimos as patologias narcísicas na contemporaneidade por meio da contraposição do modelo da histeria com o modelo da melancolia, enfatizando as questões vinculadas à fantasia e à relação com o corpo nesses pacientes.

Além da melancolia e das patologias narcísicas, os modos de sofrimento psíquico característicos das formas de subjetivação contemporâneas se expressam prioritariamente nos quadros depressivos e em outras manifestações que tendem a relativizar a eficácia simbólica. Nesse sentido, o autismo pode vir a funcionar como paradigma teórico fundamental para a teorização metapsicológica e clínica desses novos modos de sofrimento psíquico.

"Entre o ser e o sujeito: a alienação. Interrogações acerca do autismo", de Angélica Bastos, discute "a relação do autista com a linguagem" e busca mapear sua posição no que diz respeito à alienação no campo do Outro, "lugar da linguagem e tesouro dos significantes". Por fim, Ana Beatriz Freire, Lísia Wheatley e Roberta Costa trabalham a inserção do autista na linguagem valendo-se de vinhetas clínicas. As duas contribuições resultam do intercâmbio em curso com o Naicap, do Instituto Phillipe Pinel.

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