UFRJ - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA

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Publicações

Psicanalisar hoje

Psicanalisar hoje
Organizadora: Angélica Bastos
Rio de Janeiro
Contra Capa Livraria, 2006

Sumário

Apresentação

Angélica Bastos

Arqueologia da passagem ao ato

Joel Birman

Da superação à simultaneidade: crise e política na psicanálise

Bruno Leal Farah
Daniel Mograbi
Regina Herzog

A objetividade do experimento: a elisão do sujeito e de seu ato

Anna Carolina Lo Bianco
Ricardo de Sá

Para uma abordagem alternativa da linguagem (e do real) na psicanálise

Waldir Beividas
Tiago Ravanello

Sobre o conceito de alíngua: elementos para a psicanálise aplicada ao autismo e às psicoses

Angélica Bastos
Ana Beatriz Freire

A prática entre vários: uma aplicação da psicanálise ao trabalho em equipe na atenção psicossocial 

Ana Cristina Figueiredo
Andréa Máris Campos Guerra
Doris Rangel Diogo

Por que atender fóbicos sociais? Justificativa de uma pesquisa clínica 

Teresa Pinheiro
Julio Verztman
Camilo Venturi
Mariana Barbosa

Quando o psiquismo convoca o corpo: a resposta anoréxica

Fabiana Lustosa Gaspar
Marta Rezende Cardoso

Se todo gordo é feliz, a obesidade é um sintoma ou uma solução?

Tania Coelho dos Santos
Maria Cristina da Cunha Antunes

O trágico contemporâneo: uma reflexão sobre o sujeito, a ética e o final da análise à luz de O refém, de Paul Claudel

Simone Perelson

Sobre os autores


Apresentação

Os artigos reunidos nesta coletânea constituem o nono volume de uma série destinada a apresentar os trabalhos de pesquisa desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sob o título Psicanalisar hoje, propomos ao leitor dez artigos sobre temas que interrogam o psicanalista na atualidade: o ato violento e a crise na própria psicanálise; o ato elidido do cientista e o ato no final de análise; a abordagem da linguagem e do real na interface da psicanálise com a lingüística; os sintomas contemporâneos que se impõem ao psicanalista, como a obesidade e a anorexia; e encaminhamentos teórico-clínicos que visam à extensão da psicanálise, entre os quais a prática entre vários, a psicanálise aplicada ao autismo e às psicoses, e o tratamento com fóbicos sociais.Arqueologia da passagem ao ato abre a coletânea com um amplo trabalho sobre o caráter absoluto do ato criminoso e a posição subjetiva que lhe é correlata. Reflexões sobre o crime, a delinqüência e a violência na contemporaneidade são proporcionadas por Joel Birman como conseqüência de um percurso que atravessa o ato na teoria de Freud e o seu mito fundador da modernidade, e passa pela criminologia psicanalítica e pela disseminação do conceito de passagem ao ato nas últimas décadas.A relação entre o esfacelamento da autoridade simbólica e a crise atual na psicanálise é objeto do questionamento de Bruno Leal Farah, Daniel Mograbi e Regina Herzog.

O artigo Da superação à simultaneidade: crise e política na psicanálise recoloca “O mal-estar na cultura” no centro de uma revisão teórica, em que o ideal de superação, solidário da ideologia progressista, sucumbe à perspectiva da simultaneidade. Os autores argumentam que a crise da autoridade já está presente desde a discussão freudiana acerca da cultura, sendo possível afirmar que a crise é constitutiva da própria psicanálise.Ao retomar o ato fundador de Freud, Anna Carolina Lo Bianco e Ricardo de Sá situam a questão do desejo do cientista na formatação do experimento científico. No artigo A objetividade do experimento: a elisão do sujeito e de seu ato, cotejam as vias tomadas pelo experimentador Pavlov, que age em prol da objetividade, e por Freud, que forjou um dispositivo clínico inusitado, graças à ruptura com o movimento científico de que participava.Em Para uma abordagem alternativa da linguagem (e do real) na psicanálise, Waldir Beividas e Tiago Ravanello relançam, no interior do campo psicanalítico, o viés de pesquisas relativas à linguagem, operando uma interseção entre a concepção lacaniana e a concepção lingüística derivada da obra de Louis Hjelmslev. Buscam, assim, encontrar uma alternativa à dessemantização que culminaria na redução do psiquismo a uma cifra neuro-bio-química e, em última instância, na conseqüente “morte da psicanálise”.A discussão ‘ser ou não ser’ sujeito da linguagem é redimensionada pela posição do falante em alíngua. Em Sobre o conceito de alíngua: elementos para a psicanálise aplicada ao autismo e às psicoses, Angélica Bastos e Ana Beatriz Freire situam esse conceito na obra de Jacques Lacan. Com a definição do campo do gozo, circunscrevem alíngua em relação ao campo da linguagem e à função da fala, extraindo daí uma orientação para a clínica com autistas e psicóticos.

Por sua vez, Ana Cristina Figueiredo, Andréa Máris Campos Guerra e Doris Rangel Diogo se dirigem à psicanálise aplicada à clínica ampliada na saúde mental. Seu artigo A prática entre vários: uma aplicação da psicanálise ao trabalho em equipe na atenção psicossocial procede à transposição da estratégia clínica denominada prática entre vários, nascida no tratamento com crianças autistas e psicóticas, para a clientela de jovens adultos psicóticos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).O artigo Por que atender fóbicos sociais? Justificativa de uma pesquisa clínica aborda a fobia social sem transportar para a psicanálise uma categoria nosológica psiquiátrica. Visando à verdade a ser decifrada no discurso que sustenta o quadro clínico, Teresa Pinheiro, Julio Verztman, Camilo Venturi e Mariana Barbosa traçam sua gênese e tratam do mal-estar subjetivo sob o viés da vergonha narcísica, fomentada na contemporaneidade pelo valor negativo da vergonha e pela superexposição pública.A temática do corpo está presente em diversos artigos da coletânea, dos quais se destacam dois que contemplam a clínica da obesidade e a da anorexia. Em Quando o psiquismo convoca o corpo: a resposta anoréxica, Fabiana Lustosa Gaspar e Marta Rezende Cardoso se debruçam sobre as formas contemporâneas de mal-estar, com o intuito de apresentar um estudo sobre o corpo em sofrimento nos quadros de anorexia feminina. Em sua argumentação, invocam a relação com a alteridade no recurso à anorexia, sustentando a necessidade de considerar as vias paterna e materna no excesso pulsional traumático que transborda do corpo anoréxico.

Já em Se todo gordo é feliz, a obesidade é um sintoma ou uma solução?, Tania Coelho dos Santos e Maria Cristina da Cunha Antunes abordam o excesso de peso como uma forma de tratamento do gozo e submetem à discussão resultados de pesquisa acerca da psicanálise aplicada ao tratamento da obesidade. As autoras afirmam que, para alguns psicóticos, a obesidade pode ser um artifício, cuja supressão é suscetível de desestabilizar o sujeito e inclusive fazê-lo bascular para a anorexia.

Por fim, o ato inerente ao final da análise é interrogado por Simone Perelson em O trágico contemporâneo: uma reflexão sobre o sujeito, a ética e o final da análise à luz de O refém, de Paul Claudel. Perelson compara o gesto de subjetivação na tragédia antiga, da qual Antígona seria o expoente, com a destituição subjetiva na tragédia contemporânea de Paul Claudel, atrelando em seu percurso duas concepções sobre o final da análise no ensino de Jacques Lacan a duas concepções de ética. Visando à qualidade do presente livro, a edição contou com um corpo de consultores composto pelos seguintes professores-pesquisadores, aos quais gostaria de expressar meus agradecimentos: Ana Lila Lejarraga (UFRJ), Christian Dunker (USP), Henrique Carneiro (UNIFOR), Inês Loureiro (UNIMARCO), Jefferson Machado Pinto (UFMG), Luis Flávio Couto (PUC-MG e UFMG), Jô Gondar (UNIRIO), Maria Cristina Kupfer (USP), Nina Leite (UNICAMP), Paulo de Carvalho Ribeiro (UFMG) e Olga Souza (UFES).

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