UFRJ - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA

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Publicações

Destinos da Adolescência

Destinos da Adolescência
Organizadores: Marta Rezende Cardoso e François Marty
Rio de Janeiro
7Letras, 2008

Sumário

Apresentação

Adolescência: um percurso franco-brasileiro

François Marty
Marta Rezende Cardoso

A clínica na adolescência

Michèle Emmanuelli

Entre a infância e o infantil – vicissitudes da adolescência

Regina Herzog
Iná Susini Mariante

O genital, impasses e acesso

François Marty

Transgressão pulsional e geracional: a perpetuação da adolescência

Marta Rezende Cardoso

Adolescência sem fim? Peripécias do sujeito num mundo pós-edipiano

Joel Birman

A linguagem do ato na adolescência: O delito, entre o recolhimento narcísico e a busca do objeto

Florian Houssier

Distúrbios de comportamento, narcisismo fálico e luta contra a passividade na adolescência

Jean-Yves Chagnon

A adolescência e o corpo: considerações sobra a anorexia

Isabel Fortes

Projetar

Annie Birraux

Delírios e psicopatologia adolescente

Faroudja Hocini

Adolescência e tratamento de impossível hoje

Ana Beatriz Freire
Fernanda Costa-Moura

Sobre os autores


Apresentação

Adolescência: um percurso franco-brasileiro

Dedicar um livro à adolescência pode parecer banal: mais um, alguém poderia dizer. Mas isso seria passar ao largo da própria originalidade desta publicação que reúne autores psicanalistas franceses e brasileiros, que são professores universitários e pesquisadores. Isso seria negligenciar o trabalho incansável que há anos é realizado de um lado e do outro do Atlântico, trabalho que pode ser identificado nas múltiplas publicações que traduzem a qualidade das trocas que alimentam conjuntamente, sucessivamente e alternativamente as pesquisas dos clínicos acerca da maneira de compreender nosso funcionamento psíquico. Seria, enfim, considerar desprezíveis os progressos teóricos e clínicos que se revelam sobre a adolescência, nesses anos mais recentes, e dos quais este livro tem a ambição de apresentar algumas impressões. Não se trata, portanto, de uma simples justaposição de autores, mas antes de uma abordagem que permite ter uma idéia acerca dos progressos da pesquisa teórica e clínica, que permite confrontar pontos de vista e práticas, trazendo para o primeiro plano a comunidade de perspectivas científicas, mais além das diferenças culturais. Porquanto se diferenças existem na maneira de pensar as situações clínicas encontradas – e é bom que seja assim –, se essas diferenças dão conta da imensa diversidade das problemáticas e dos contextos nos quais se desenvolvem, não é menos verdadeiro que as nossas observações se organizam à volta de um referencial psicanalítico comum, esse mesmo que nos permite pensar a realidade psíquica dos pacientes que encontramos, com referência ao inconsciente e à sexualidade infantil, e que nos permite igualmente enfrentar com eles, graças à transferência e sua análise, as vias do tratamento possível de seus problemas.

O projeto deste livro surgiu a partir do encontro de Marta Rezende Cardoso, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e François Marty, professor da Universidade de Paris Descartes, em torno de uma temática comum de pesquisa: a violência, estudada em sua dimensão psíquica. Essa violência interna que se mantém no cerne de nossa vida psíquica e que cabe ao nosso eu tratar para transformá-la, a fim de não ser destruído por ela (movimento de autoconservação) e para colocá-la a serviço da vida, da criatividade (ligação das pulsões de vida e de morte entre si, ligações também das pulsões a objetos, a representações). A violência, porém, pode também se exprimir em sua forma atuada, auto ou hetero-agressiva, traduzindo então o desamparo daquele que cede a ela como para defender-se contra uma ameaça que estaria situada no outro, e contra a qual seria preciso proteger-se, ao menos para que fique situada entre si mesmo e o outro, e sua evolução vai depender da qualidade da relação que se desenvolve na intersubjetividade. O interesse comum de Marta Rezende Cardoso e François Marty pela violência evidencia que a vida psíquica se organiza em torno do trabalho de transformação dessa energia bruta, ao mesmo tempo fonte de vida e de morte.

Reunindo textos de autores, todos psicanalistas, acerca das problemáticas adolescentes, quisemos explorar de um modo novo essa questão da violência e a maneira pela qual ela está no cerne da experiência adolescente. De fato, a adolescência é exatamente o território da experiência em que a violência ocupa quase todo o espaço. Podemos interessar-nos por isso, uma vez que a adolescência hoje em dia tornou-se um objeto de pesquisa identificável, com uma especificidade de sua clínica, de sua psicopatologia e de seu tratamento. Os estudos teórico-clínicos se multiplicaram especialmente depois da convocação lançada em 1958 por Anna Freud (Freud, 1958, apud Perret-Catipovic & Ladame, 1997), que exortava os psicanalistas a aprofundar as intuições mais iniciais formuladas por S. Freud nos “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (1905). Embora Freud não tenha sistematizado um estudo da adolescência de um ponto de vista psicanalítico, sua obra traz a marca profunda daquilo que na atualidade inspira os psicanalistas que se interessam pela adolescência e pelos adolescentes.

Hoje em dia a adolescência é pensada como um processo psíquico fundamental para o desenvolvimento da criança, processo que traz em seu seio o despertar pulsional próprio das mais intensas transformações psíquicas. A adolescência é a expressão de um lugar de conflitualização violenta onde pulsões e defesas, investimentos narcísicos e objetais, se defrontam. Inscreve-se numa revivência da problemática edipiana infantil, de onde emergem as fantasias pubertárias organizadas em verdadeiras cenas (as cenas pubertárias descritas por Gutton [1991]), a exemplo das cenas primitivas da infância, dispondo desde então, no entanto, da potência que a genitalidade pubertária confere à criança que está se tornando adolescente. Ocasião dos mais graves distúrbios, até mesmo com o risco da ruptura (breakdown), como apropriadamente a descreveram Laufer & Laufer (1984/1989), da descompensação neurótica e/ou psicótica, mas também lugar da criatividade (Emmanueli, 1993) para enfrentar esse traumatismo constituído pelo repentino surgimento do corpo genital que vem arrombar o pára-excitações interno no aparelho psíquico da criança que está se tornando adolescente. Lugar, em suma, de todos os possíveis; o adolescente assiste ao desenvolvimento de suas capacidades de adaptação, forçado a conciliar as exigências pulsionais às exigências da realidade externa. Um dos grandes problemas que tem que resolver, uma vez que está empenhado nas transformações impostas pela puberdade fisiológica, é o de viver essa experiência inédita e de integrá-la sem perder o sentimento de continuidade de sua existência: mudar e permanecer o mesmo em suma, adaptar-se à nova rodada de sua vida sem se tornar inteiramente estrangeiro a si mesmo. E no entanto, é bem uma experiência de estraneidade que o adolescente é levado a viver em relação ao seu próprio corpo, confrontado aos olhares (dos pais e de seus pares) que lhe indicam que ele não é mais o mesmo. Como, a partir de então, retomar a seu favor essa transformação sofrida na passividade, como apropriar-se disso que se apresenta como uma novidade que se produziu independentemente de qualquer concordância da parte do sujeito? Essa iniciativa de apropriação subjetiva tanto de seu corpo quanto de seu psiquismo, de sua identidade (Marty & Chagnon, 2006), de sua própria história, é isso que Cahn descreveu com tanta propriedade (Cahn, 1997) ao propor-nos a noção de subjetivação da qual hoje sabemos que a adolescência constitui importante etapa.

A adolescência, vê-se bem, não é então apenas um momento no caminho da evolução da criança, não constitui unicamente uma transição da infância para a idade adulta. De preferência a isso, a adolescência é uma importante crise da vida, que confronta o sujeito ao risco de se perder por ter tanto o que mudar, de perder o fio dessa continuidade de si mesmo, quando não o sentido da vida, que está em jogo de maneira essencial.

Para nós, a adolescência é um processo psíquico que organiza o conjunto da vida do sujeito retroativamente dando sentido à sexualidade infantil (no a posteriori), dando-lhe novos significantes de amarração (como foi tão bem descrito por Annie Birraux com a noção de objetos culturais [Birraux, 1994]). Ao dar sentido também àquilo que está por vir na vida adulta, tanto do ponto de vista das escolhas objetais quanto das evoluções potencialmente patológicas. Assim, hoje pensamos determinadas entradas na esquizofrenia como importantes fracassos do processo da adolescência, fracassos da saída da adolescência. Assim também podemos considerar muitas demandas de análise na idade adulta como estando ligadas a impasses provisórios do processo de adolescência: se a adolescência constitui uma segunda oportunidade oferecida à criança para resolver os problemas edipianos que ficaram em sofrimento, a análise do adulto seria uma segunda oportunidade dada ao sujeito cujo processo de adolescência teria ficado enguiçado.A adolescência não é um prolongamento da infância que se inscrevesse numa continuidade de desenvolvimento: não se trata simplesmente de crescer para se tornar homem ou mulher. Com a adolescência cumpre-se o encontro com o outro na alteridade genital, encontro com a sexualidade genital em si mesmo (reconhecer-se homem ou mulher, e não mais menino ou menina) e no outro (no jogo do desejo sexualizado de um encontro genital). É porque uma certa forma de complementaridade (e não de completude que, esta, é o signo da dominação do narcisismo) organiza esse encontro entre os sexos que o adolescente é diretamente confrontado a um violento conflito interno entre a manutenção de seus investimentos narcísicos, herança da infância, e o empenho nos investimentos objetais (o encontro com o outro) cuja perspectiva ameaça sua integridade narcísica, como P. Jeammet demonstrou (Jeammet, 1985).

A adolescência representa, portanto, um violento ataque ao narcisismo. Em vista já da profunda transformação desencadeada pela puberdade, tende a ocorrer um desequilíbrio na complexa balança entre investimento narcísico e objetal. O remanejamento das identificações na adolescência abala intensamente as bases narcísicas do psiquismo do sujeito, em função, dentre vários outros aspectos, do desinvestimento das ligações com os objetos da infância. Retomando uma formulação proposta anteriormente (Cardoso, 2001): não constituiria a adolescência uma problemática ligada à questão de fronteiras? Com seu potencial traumático, essa transição da vida infantil para a vida adulta pode ser considerada uma “situação fronteiriça”. A adolescência é marcada, de forma muito especial, pela questão dos espaços psíquicos, dos limites externos e internos, incidindo, simultaneamente, sobre o eixo narcísico e sobre o alteritário. A necessidade de investir em novos objetos, imposta pelo próprio trabalho de luto, introduz a questão da abertura ao novo, à “diferença”. Quando ultrapassado pela intensidade de suas próprias sensações, o adolescente corre o risco de perder a capacidade de se distinguir do outro, de diferenciar o dentro e o fora. Isto se estende ao registro interno, nível intrapsíquico, relativo à relação entre as diferentes instâncias psíquicas,e às fronteiras egóicas. A saída pode ser a expulsão violenta dessa excitação desorganizadora, traumática.

Ao voltarmos o nosso olhar para a adolescência atual, observamos justamente a presença significativa de patologias nas quais as modalidades de defesa são agenciadas por uma convocação do corpo e do ato, revelando assim a presença de uma base traumática. Investigar do ponto de vista psicanalítico as determinações desse fenômeno, ou seja, desse incremento, na atualidade, dos chamados estados limites, e cuja emergência tantas vezes se dá na travessia da adolescência, parece-nos absolutamente essencial. Para tal, faz-se necessária uma exploração na qual se leve em conta, de maneira devidamente integrada, aspectos metapsicológicos, psicopatológicos e clínicos.

Mostra-se igualmente fundamental uma análise apurada sobre a intricada relação entre subjetividade e cultura, através da qual seja possível avançar na compreensão e na identificação de elementos que caracterizam a cultura contemporânea, assim como da singularidade própria à estruturação dos laços sociais na atualidade. Para iluminar esses tópicos, consideramos inescapável e mesmo urgente um aprofundamento do estudo da organização familiar, de sua evolução ao longo da história, das rupturas e transformações nela operadas. A presença de contradições que resultam, dentre inúmeros outros fatores, da justaposição de diferentes modelos na instituição da família atual, parece-nos constituir, potencialmente, uma importante fonte de desorientação subjetiva. Como sublinha Joel Birman (2006, p. 36) “As figuras parentais, principalmente a da mãe, uma vez que a do pai já detinha este poder, passaram a ter projetos existenciais próprios, independentes do campo da família. Em decorrência disso, a relação dos pais com os filhos se transformou radicalmente”. Acrescenta Birman que o momento histórico atual é ainda de passagem entre ordem familiar moderna e pós-moderna. As figuras parentais parecem ainda não ter conseguido encontrar uma melhor solução que viesse a permitir um equilíbrio entre seus projetos existenciais singulares e o cuidado dos filhos. Portanto, uma fragilidade do investimento afetivo faz-se geralmente presente, provocando desdobramentos nefastos. No que concerne ao plano intrapsíquico, esses desdobramentos, que tocam na questão da fragilização psíquica e, conseqüentemente, numa tendência à infantilização – conforme se expressa na tendência a um expressivo alongamento da adolescência – remetem-nos, em última análise, a uma dimensão traumática, no sentido da ação, no mundo interno, de uma violência psíquica, ou seja, da irrupção de um excesso pulsional, correlativo, por sua vez, de uma fragilidade narcísica, egóica, processos cujo destino será, muitas vezes, o das respostas psíquicas extremas, limites, situação de violência, seja dirigida para si mesmo ou orientada para um outro.

Não é de admirar, portanto, que a reflexão de psicanalistas franceses que trabalham com adolescentes se aproprie desse tema para considerar a maneira pela qual a adolescência modificou consideravelmente a paisagem da psicanálise, que essa reflexão incide sobre problemáticas como a do ato, da passividade, do delírio ou ainda do genital. A diversidade dos temas mostra a importância do empreendimento e o interesse dos clínicos pela adolescência comum tanto quanto pelas adolescências difíceis. Observe-se a esse propósito que o ato ocupa lugar de destaque nessas contribuições, atos delituosos entre retraimento narcísico e abandono do objeto (F. Houssier), ou passagem ao ato considerada como arranjo defensivo ante as angústias narcísicas, depressivas ou psicóticas (J.-Y. Chagnon). Pelo lado da patologia, F. Hocini teria podido levar-nos a pensar os delírios dentro da mais pura tradição psiquiátrica, mas não é disso que se trata. Não que não nos faça entender o caráter crítico de todo delírio na adolescência, mas ela opta por mostrar-nos a importância de que levemos em consideração a verdade do sujeito que se exprime na singularidade do caso. M. Emmanuelli, por sua vez, traça para nós um vasto panorama da adolescência vista numa perspectiva histórica e metapsicológica como processo psíquico original do ponto de vista dos remanejamentos identitários, edipianos, enfatizando a importância da conflitualidade narcísico-objetal. Mostra-nos igualmente o quanto a adolescência é o tempo da retomada da posição depressiva, o que a leva a considerar as evoluções patológicas e as possibilidades de tratamento. A. Birraux estuda as estreitas relações que se tecem entre fobia e projeção. Retomando seus trabalhos sobre a fobia como modo de estruturação fundamental da vida psíquica (Birraux, 1994, op. cit.), ela estende sua reflexão ao papel fundamental representado pela projeção, especialmente na adolescência. F. Marty leva adiante sua reflexão acerca da sexualidade genital pubertária, que ele distingue da genitalidade infantil. Para ele, o genital surge como um momento essencial na constituição subjetiva, momento sem o qual o processo de subjetivação não poderia advir.Pelo lado dos autores brasileiros, há também grande interesse em se continuar a explorar a temática da adolescência, com a convicção de que essa investigação ilumina a compreensão de muitos dos tópicos hoje em debate. Debruçar-se, mais uma vez, sobre a adolescência, pode em muito auxiliar o enfrentamento da psicanálise com os novos desafios que têm se colocado em seu horizonte. Elaborar as múltiplas questões envolvidas na “passagem” da adolescência proporciona igualmente a retomada e o desdobramento de algumas formulações centrais e mesmo fundamentais da teoria psicanalítica.Assim, encontramos, por exemplo, no artigo de Regina Herzog e Iná Mariante, uma apreciação assentada na distinção entre os termos infância e infantil, com a meta de mostrar como a psicanálise vem romper com uma visão desenvolvimentista das vicissitudes do desenvolvimento do sujeito. Pensar o infantil como o que fornece subsídios ao adolescente para lidar com suas dificuldades faz com que a categoria de adolescência seja inserida no processo de subjetivação, processo entendido, nessa visão, como contínuo.

A questão das formas de subjetivação é também objeto do artigo de Joel Birman, que se volta, no entanto, para a juventude na atualidade. Através de uma linha de argumentação na qual uma análise das radicais transformações ocorridas na juventude entrecruza-se com uma investigação sobre as mudanças percebidas no registro social da família, o autor nos esclarece sobre a singularidade dessas transformações, além de sublinhar o quanto a psicanálise, ao ver-se interpelada por essas interrogações, demanda sistemática releitura. Esta postura propicia, inclusive, a abertura de novas vias na elaboração de temas mais diretamente clínicos, por exemplo, aqueles que concernem certas patologias nas quais a relação entre corpo e psiquismo não cessa de nos interpelar a partir da estranheza que pode comportar.Nessa direção, Isabel Fortes desenvolve um estudo sobre a anorexia, privilegiando aí a recusa do feminino. Seu ponto de partida é justamente a violenta relação que o sujeito adolescente trava com o seu novo corpo, conforme o ilustra o extrato de um caso clínico. Duas outras situações clínicas são exploradas no artigo de Ana Beatriz Freire e Fernanda Costa-Moura, onde duas distintas pesquisas encontram sua confluência na suposição de um movimento subjetivo particular diante da incidência da insuficiência do pai, movimento que vem ordenar o real que invade o sujeito na chegada da puberdade, em conseqüência do desejo novo que o agita.

A análise desse violento confronto com o novo na adolescência ocupa também o centro do texto de Marta Rezende Cardoso, que destaca que o acirramento do conflito psíquico não se dá, entretanto, apenas nos sujeitos adolescentes, mas encontra forte eco na vida psíquica das figuras parentais, confrontadas com a radical transformação da vida pulsional de seus filhos. O acesso à condição de sujeito adulto em muito dependerá do reconhecimento da diferença, particularmente da diferença geracional, sem o que a adolescência tende a se perpetuar numa adolescência sem fim...

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