UFRJ - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA

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Publicações

A Psicanálise e o Pensamento Moderno

A psicanálise e o pensamento moderno
Organizadora:
Regina Herzog
Rio de Janeiro
Contra Capa Livraria, 2000

Sumário

Apresentação

Regina Herzog

Antecedentes históricos da construção do conceito de narcisismo

Alexandre Jordão
Teresa Pinheiro

1908: corpos disciplinados ou a insistência do estéril

Monah Winograd

A questão da interpretação no século XX: Nietzsche, Freud e Heidegger

Auterives Maciel JúniorAnna Carolina Lo Bianco

As histórias e a história

Angélica Bastos

Desconstruindo a razão: de Schopenhauer a Freud

Regina Herzog

A psicanálise e a crítica da modernidade

Joel Birman

O modernismo e os primórdios da psicanálise no Brasil

Cristiana Facchinetti

 

Apresentação

O conjunto de artigos que compõem esta coletânea sob o título A psicanálise e o pensamento moderno se refere ao trabalho que vem sendo produzido pela Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica - UFRJ e, congregando docentes e discentes, expressa parcialmente o trabalho de algumas das linhas de pesquisa desenvolvidas pelo programa.

Na atualidade, verificamos cada vez mais a preocupação dos profissionais da área de Psicanálise com uma produção que possa contribuir para o estabelecimento de um pensamento caracteristicamente brasileiro. Brasileiro não só porque, é claro, produzido em nosso país, mas acima de tudo porque acompanha os questionamentos que o exercício da psicanálise em nossa sociedade tem suscitado.

Neste volume, a temática em pauta ressalta algumas vicissitudes com que a psicanálise se deparou em sua origem e desenvolvimento em suas relações com os limites do pensamento moderno. Assim, na conceituação freudiana, assistimos desde muito cedo ao debate com as idéias estabelecidas no final do século XIX, um debate que não é sem importância para os dias de hoje, visto que se no início do século XX a psicanálise subverteu uma determinada forma de pensar, estamos agora diante de impasses e questionamentos que nos obrigam a revisitar não só figuras e conceitos psicanalíticos, como também a própria revolução instaurada pelo pensamento freudiano. O objetivo aqui é o de mostrar que a psicanálise, em sua especificidade teórico-clínica, se configura como uma produção permanente e sempre nova.

No artigo "Antecedentes históricos da construção do conceito de narcisismo", de Alexandre Jordão e Teresa Pinheiro acompanhamos a genealogia do conceito no seio de uma problemática de caráter eminentemente clínico, que não deixa de levar em conta o fato de que essa figura está circunscrita no âmbito de uma discussão em que o eu era concebido como unidade soberana. Ao tratar do problema da escolha da neurose, Freud apresentou já em 1899 uma primeira formulação do tema; anos mais tarde, no embate com as idéias de Jung, sua resposta seria construída com o conceito de narcisismo, que metaforizaria a sexualidade ao distanciá-la de seus aspectos individual e genital.

Em "1908: corpos disciplinados ou a insistência do estéril" a discussão se mantém no âmbito da genealogia do conceito, desta vez o de 'sexualidade' Monah Winograd aponta como Freud, apesar de alargar o campo do sexual operando uma suspensão na divisão entre atividades sexuais lícitas e ilícitas, se vê confrontado com os dispositivos de controle dos corpos, sobretudo os valores morais. 

Este mesmo confronto aparece em "A questão da interpretação no século XX: Nietzsche, Freud e Heidegger". Seus autores Auterives Maciel e Anna Carolina Lo Bianco assinalam que para a psicanálise, da mesma forma que em Heidegger e em Nietszche, trata-se de valorizar 'o pensamento da interpretação sobre a interpretação' Ao dar relevo ao aspecto não acabado da interpretação, a concepção psicanalítica contrasta com a hermenêutica da qual se origina, dela se afastando. 

A partir da perspectiva da infinitização da interpretação, pode-se entender o processo de construção da história, considerado no artigo "As histórias e a história". Nele acompanhamos com Angélica Bastos o progressivo refinamento da idéia de reconstrução psicanalítica feita por Lacan em suas relações com a história. Indicando os impasses de Freud no que diz respeito ao tema, são considerados os limites da relação da história com a psicanálise, no bojo do debate sobre o sentido e a significação.Em "Desconstruindo a razão: de Schopenhauer a Freud", a argumentação está centrada no legado da crítica ao pensamento moderno empreendida por Schopenhauer, que se contrapõe, com seu pessimismo, à visada otimista defendida por aquele. Regina Herzog mostra como Freud, entusiasta confesso deste filósofo, sem dúvida lhe deve a possibilidade de teorização do conceito de pulsão e, portanto, dos conceitos de recalque e inconsciente. Assim, o artigo discute em que medida o pensamento freudiano é herdeiro e crítico de uma visada pessimista da condição humana.

A discussão prossegue com uma ampla apresentação sobre "A psicanálise e a crítica da modernidade". Joel Birman examina em seu artigo as idéias de modernidade e modernismo para pensar a crise da psicanálise na atualidade, propondo como desafio a manutenção de um discurso crítico da modernidade contra 'as trevas da pós-modernidade'.
Para finalizar, em "O modernismo e os primórdios da psicanálise no Brasil", Cristiana Facchinetti pretende mostrar como a mesma necessidade de ruptura em relação aos valores tradicionais, ao ser apropriada pelo movimento modernista, caracterizou a entrada da psicanálise em nosso país. Mais tarde, no entanto, assistiríamos a uma incorporação da psicanálise por um discurso conservador, repressivo e acrítico, que não só levaria ao retorno do colonialismo cultural, como também geraria um discurso divorciado das questões nacionais.

Portanto, ainda que preserve a singularidade dos vários estudos, esta coletânea tem como denominador comum uma reflexão sobre o saber psicanalítico e sobre a forma com que a psicanálise tem travado seus embates teóricos e clínicos. Em nosso entender, esta é uma das possibilidades mais interessantes de resgatar, no âmbito da psicanálise, um pensamento tipicamente brasileiro.

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