UFRJ - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA

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Curso

Corpo Docente

 

 

Professor Titular

Ana Beatriz Freire

Doutora em Psicologia Clínica, PUC/RJ, 1994

A Constituição do sujeito: experiências de excesso, psicose e o autismo em questão.
Pensando a constituição do sujeito pela estrutura da linguagem definida não somente como representação, mas como o que escapa ao campo da representação - o que Freud nomeou trauma e Lacan chamou de real- a direção do tratamento clínico deixa de visar unicamente a reconstrução da história do sujeito e passa a privilegiar a dimensão do que é impossível de representar. Pressupondo que a noção de realidade psíquica se define pela fantasia em sua relação com o real como excesso que constitui o limite dessa realidade, a pesquisa propõe analisar as implicações da noção de real na constituição do sujeito, mais especificamente, na clínica da psicose e do autismo. Consequentemente, a presente pesquisa pretende analisar as implicações dessa dimensão do excesso real teórica e clinicamente, mais especificamente, as soluções clínicas diante desse real, como os sintomas, a extração, circunscrição ou modalização do gozo, função de órgão assim como as diversas suplências e invenções de cada caso.

 

Anna Carolina Lo Bianco

Ph.D. em Psicologia, University of London,1983

Transmissão na psicanálise e na religião: a tarefa do sujeito

Na pesquisa realizada anteriormente, ao tomarmos o tema da tradição e da transmissão, sob o prisma da psicanálise, situamos o ponto de descontinuidade na transmissão e na tradição, onde é novo ver surgir o sujeito. A transmissão não se dá de forma linear, onde conteúdos são passados de uma geração a outra. Há um ponto de intransmissibilidade – ponto do trauma –, que só será ultrapassado pelo sujeito que com seu ato venha a inventar para si um lugar na cadeia de transmissão. No presente Projeto, retomaremos essa temática para detalharmos o que é a tarefa do sujeito responsável pela transmissão. Procuraremos para tanto, estabelecer um debate entre a religião e a psicanálise para no seio dele situarmos a concepção psicanalítica do sujeito. Veremos que muito do que é teorizado por Freud acerca da tradição e da transmissão, bem como o que é desenvolvido por Lacan acerca do sujeito e de seu ato, encontram suas raízes no movimento da Reforma.  Procuraremos de início desenvolver os princípios do pensamento luterano, para em seguida situar a psicanálise como um movimento que surge na tradição da Reforma – a qual marca de forma indelével o pensamento ocidental a partir do século XVI – ao mesmo tempo em que realiza um corte radical com a referida tradição. Em relação a esse corte iremos situar a concepção de sujeito em análise, como aquele que surge como efeito de seu ato próprio que, no entanto, não se dá sem a submissão ao que lhe é externo e o constitui. Finalmente caracterizaremos e examinaremos em detalhe o que está envolvido neste  ato: o que chamamos a “tarefa do sujeito” em análise.

 

Joel Birman

Doutor em Filosofia, USP, 1984

Estética e Sublimação em Psicanálise

A intenção desse projeto de pesquisa é a de pensar no paradigma da psicanálise, tendo o discurso freudiano como referência teórica fundamental, pela via do modelo estético. Para isso, é preciso contrapor os modelos científicos, ético e estético de conhecimento, para articulá-los no contexto da teoria psicanalítica. O desdobramento maior disso é a releitura do conceito de sublimação em psicanálise, na sua possibilidade de interpretação das práticas artísticas e clínicas.

 

Professores Associados


Angélica Bastos 

Doutora em Psicologia Clínica, PUC-SP, 1996

O corpo na clínica psicanalítica
A pesquisa atual aborda o corpo na perspectiva do inconsciente. Trata-se de um conjunto de projetos na linha Teoria da Clínica Psicanalítica e consiste num desdobramento de estudos anteriores sobre a direção do tratamento na psicanálise aplicada às psicoses e ao autismo e do lugar do analista nessa clínica. Tais trabalhos se estenderam à debilidade mental às fobias na psicanálise com crianças. Atualmente, investigamos o corpo na clínica psicanalítica com base na obra de S. Freud e no ensino de J. Lacan, isto é, o corpo na estrutura e na clínica dos nós. Enfocamos o corpo, bem como os impasses em sua constituição, nos vários quadros clínicos estudados: o autismo, a esquizofrenia, a paranóia, a histeria, anorexia, etc. A pesquisa vem abordando a elaboração de uma suplência para o corpo (como as máquinas em certos casos de autismo) e as relações entre sintoma, gozo e corpo.

 

Marta Rezende Cardoso

Doutora em Psicanálise, Université Paris VII, 1995

Violência, trauma e alteridade: aspectos teóricos e clínicos

O objetivo desta pesquisa é investigar a questão da violência pulsional na subjetividade humana contemporânea, tendo em vista os fundamentos da própria violência psíquica e seus destinos na clínica, levando-se em conta o modo singular como esta tem se apresentado na atualidade, assim como algumas de suas vicissitudes na cultura contemporânea. Examinar o estatuto dessas “novas” psicopatologias, pensar a especificidade do trabalho clínico nos casos onde há particular insistência daquilo que estaria além do representável, trabalhar teoricamente questões relativas às situações que comportam uma dimensão de violência radical, violência situada fora dos limites de um traumático constitutivo - eis algumas das propostas deste projeto teórico-clínico. Trata-se de uma investigação sobre o papel singular da dimensão de trauma e de alteridade em determinados quadros clínicos – tendo em vista os fundamentos e os possíveis destinos do traumático - em especial, nos chamados estados limites. Este projeto visa o estabelecimento de um contraponto desses estados com diversas outras configurações clínicas (nos campos da neurose, psicose e perversão) onde a dimensão de violência psíquica é igualmente relevante. A relação entre violência e processo de criação assim como a problemática adolescência, aqui considerada como fronteiriça, têm lugar de destaque nesta pesquisa.


Regina Herzog

Doutora em Psicologia Clínica, PUC/RJ, 1992

Psicanálise e contemporaneidade: pensamento e realidade na experiência psicanalítica

O presente projeto trata da questão da realidade no âmbito da experiência psicanalítica. Sem pretender fazer equivaler real à realidade, ainda assim, uma distinção se faz necessária e isto em função da necessidade de trabalhar com o que se designa como da ordem do inominável; ordem que traz para a cena a questão do traumático, implodindo com a própria possibilidade de pensar a realidade em um registro privilegiadamente psíquico, referida ao pensamento inconsciente ou mesmo de se estabelecer uma articulação simples entre pensamento e realidade. Neste âmbito, uma das questões mais espinhosas com respeito à elaboração clínico-conceitual da psicanálise é de como situar este campo no rol dos 'ismos' em que se insere o pensamento ocidental: materialismo, empirismo, idealismo, racionalismo ou ainda monismo, dualismo, vitalismo, todos funcionando como posições em que se pode alocar a psicanálise a depender do ponto de vista adotado e que vão conferir às figuras da realidade e do pensamento uma interpretação específica..


Tânia Coelho dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica, PUC/RJ, 1990

As intervenções do analista nas clínicas lacanianas: do significante, do fantasma e do Real

Em nossa abordagem dos diferentes períodos do ensino de Lacan, privilegiamos como ponto de vista, o lugar do analista e a modalidade de intervenção. Em seu primeiro ensino, Lacan circunscreve o lugar do analista a partir do privilégio concedido à máquina simbólica: o Outro (A) e o sujeito do significante ($). A interpretação, como intervenção do analista, equivale à sanção do Nome do pai, lugar da lei bem como do acolhimento da exceção na máquina simbólica. Antes do Seminário VII (1956/57,) ele concede menos à pulsão. Nesse momento, com a introdução de das Ding, a experiência psicanalítica se define como uma ética do desejo porque o gozo é impossível. O desejo insatisfeito articula-se à castração. Com a introdução do conceito de objeto a, o gozo se faz contingente. Lacan vai privilegiar o ato do analista como intervenção que incide sobre as modalidades de gozo que se condensam no fantasma ($ <> a). O desejo do analista, em seu ato, opera como objeto a no lugar do agente do discurso, promovendo o gozo possível. Finalmente, quando ele promove o axioma: "não há relação sexual’, o lugar do analista é equivalente ao do parceiro-sinthoma. Mais além da interpretação do sentido, trata-se de fazer eco aos S1 autoeróticos do ser falante.


Professores Adjuntos

 

Amândio Gomes

Doutor em Filosofia, IFCS/UFRJ, 2002

O trabalho como elaboração na psicose

Nosso projeto propõe uma investigação teórico-clínica do tratamento da psicose considerando como sua estrutura fundamental a ‘foraclusão’ do nome-do-pai. A hipótese que orienta a investigação é a de que uma suplência é possível tomando o trabalho como forma de inscrição social do sujeito. Em particular, interessa-nos a produção e o exame dessa suplência pelo trabalho que visa  articular a clínica psicanalítica das psicoses com a política nacional de inclusão social no campo da saúde mental, no âmbito da qual se organizam os Projetos de Geração de renda no Hospital Dia do IPUB – Instituto de Psiquiatria da UFRJ –, onde é executado o projeto de extensão Laços e Nós.> A política e o discurso da inclusão social têm como propósito remediar a limitação do discurso científico em apreender o que do real irrompe na psicose. A questão é de se determinar se o trabalho (nas oficinas do Hospital Dia ou no trabalho formal que alguns psicóticos podem vir a realizar) pode efetivamente produzir laço social ou se – e aqui a segunda hipótese – o trabalho é justamente a possibilidade de elaboração daquilo que se impõe como falha ou perturbação nos discursos e assim no laço social, tal como testemunha a psicose.

 

A psicanálise e a ciência

A tese lacaniana de que a ciência tem por condição a foraclusão do sujeito e a foraclusão d’A Coisa tem por fundamento a concepção da ciência moderna como formalização matemática da natureza, tal como em Koyré. O conhecimento científico supõe a matematização, e a matemática aparece aí como uma certa idealização. Interessa-nos examinar como, nesse viés, o foracluído faz sua (re-)aparição – se entendemos que o foracluído também aí (re-)aparece, como na psicose. Muito diferente é a abordagem lacaniana da ciência a partir de 1971, no seminário 18, “De um discurso que não seria do semblante”. A partir de então a ciência, que passa a ser  considerada pelo viés da técnica, revela um modo próprio de amarração do real, e é assim concebida como “escrita”. Ou seja, há uma evidente inflexão na abordagem da ciência por Lacan a partir do seminário 18, quando a ciência, em sua emergência histórica, faz aparecer um “caroço” (Seminário 23) e produz o mesmo mal-estar que o sintoma, no que ele porta de limite da simbolização. A matematização parece ser assim uma possibilidade de escrita na ciência, aquela que esteve em jogo na física, mas não a única. J.-C. Milner sugere que as ciências do vivo, na atualidade, poderiam nos dar uma indicação do que Lacan tinha em vista na sua concepção de ciência como escrita. É uma possibilidade de pesquisa que nos interessa, e que permitiria retomar um problema antigo e bastante instigante, de que trata Kant na Crítica do Juízo, relativo à ciência do vivo em oposição à física. Mais do que opor duas visões antagônicas, a hipótese é de que são duas visadas sobre a ciência em Lacan.

 

Andréa Martello

Doutora em Teoria Psicanalítica, Psicologia/UFRJ, 2007

O sintoma psicanalítico e os discursos científicos no âmbito das questões pedagógicas.  

O objetivo do projeto é examinar e delimitar dentro do campo da educação os sintomas que atrapalham ou emperram o funcionamento pedagógico e refletir sobre sua abordagem pelos discursos científicos e pela psicanálise.  Com base na orientação lacaniana parte-se do pressuposto que o corte científico e a modernidade inauguram o sujeito da ciência marcado por uma divisão que o funda como desejante no inconsciente.  O avanço tecnológico e a cultura de consumo que se instaurou de modo maciço nos últimos 40 anos, no entanto, deu relevância não à dimensão subjetiva do desejo, mas à do gozo, reduzindo o sujeito ao regime do corpo. Registra-se uma mudança no modo de constituição subjetiva muitas vezes condenando os jovens às armadilhas narcísicas ou sintomas relativos à ação (violência, assédio sexual, gravidez precoce, atos infracionais, hiperatividade), apatia ou simplesmente baixo rendimento escolar, que indicam um sujeito em posição de objeto. A ciência tanto pode ratificar esta posição objetificada através de seus discursos quanto pode restaurar a divisão fundante do sujeito. Investigar as vias por onde retomar a posição subjetiva apropriada aos processos pedagógicos é um dos intuitos da pesquisa. Propõem-se percorrer as obras de Freud e Lacan, além de comentadores secundários ligados ao campo da educação e da infância para investigar as orientações indicadas

 

Fernanda Costa-Moura

Doutora em Psicologia Clínica, PUC/RJ, 2000

Lógica da ciência, formalismo e seus efeitos na adolescência contemporânea

A pesquisa parte das posições de Lacan (1974) que afirmam uma normalidade do fracasso em psicanálise em contraste com o curso da ciência na contemporaneidade. Para Lacan, diferente da ciência que "não tem idéia do que faz" e da religião, feita para "curar os homens do que não funciona" a psicanálise pode nos dar alguma notícia do real. Visando discernir a incidência do real que vigora no campo do sujeito, o trabalho toma o curso atual da ciência e o domínio da clínica – especialmente da clínica psicanalítica com adolescentes – como práxis que dá lugar ao sujeito de que se trata: aquele que sobrevém como resto heterogêneo e, no entanto ineliminável da operação da ciência, testemunhado no real da enunciação. Isolando a suspensão que define a adolescência como o que radicaliza para os jovens a experiência extrema do sujeito desalojado das amarras simbólicas que poderiam balizar seu advento, na contemporaneidade, a pesquisa recolhe o que os adolescentes manifestam desta condição, com nitidez e contundência, em atos tresloucados, patologias e dificuldades de toda espécie. Por esta via chega a articular a crise adolescência, em seu caráter de momento inaugural de subjetivação do desejo, e a marcha da ciência, como pontos privilegiados da conjuntura distintiva da emergência do sujeito na atualidade.


Maria Cristina C. Poli

Doutora em Psicologia, Université Paris 13, 2004.

Ato e feminino: a performatividade do não todo na castração

As mulheres, assim como os loucos, assumiram historicamente na cultura um lugar de diferença e alteridade que assinalava a insuficiência do princípio fálico. Por isso mesmo, a loucura feminina - mesmo em sua forma histérica ou obsessiva - teve sempre algo de subversivo às relações convencionais entre o sujeito e o Outro. Que a psicanálise tenha podido, através de sua formalização teórica, aceder à diferença entre a foraclusão psicótica e o não-todo na castração do gozo feminino é um dos achados clínicos-conceituais de grande mérito e que não deu, a nosso juízo, a última palavra. Nessa pesquisa desenvolveremos essa proposição tendo por diretriz os seguintes eixos principais: o estatuto do amor, em seu extremo na erotomania, que atualiza na transferência o que não cessa de não se escrever (a relação sexual); a função da ficção, enquanto inscrição da realidade psíquica, isto é, como modo de expressão da verdade que é sempre semi-dita e que tem no feminino um modo peculiar de endereçamento ao campo do Outro, podendo por vezes assumir o modo paradoxal do delírio a dois; e, por fim, a inscrição pulsional da privação, ou seja, uma relação que dispensa o falo como ordenador da demanda, e que condiz com os avatares da criação artística indicados por Lacan na figura da poedeira: aquela que produz um real. Em termos metodológicos, propomos sustentar essa pesquisa em consonância ao estatuto de ato em psicanálise; consideraremos assim ato e sexuação como concernentes ao sujeito em seu dizer, o que a partir da obra de Austin ficou conhecido como ato performativo.

 

Simone Perelson

Doutora em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise, Université Paris 7, 1999

Novas tecnologias, subjetividade e corpo

Tendo como objeto de pesquisa as novas tecnologias reprodutivas (isto é, as chamadas reproduções artificiais), a pesquisa investiga, em primeiro lugar, os efeitos das novas tecnologias reprodutivas sobre as subjetividades, os corpos e as filiações. Para tal propósito, mostra-se fundamental a abordagem das noções de complexo de Édipo, diferença dos sexos, função paterna e Ordem simbólica. Em segundo lugar, ela busca circunscrever algumas possíveis bases para a constituição de um discurso fundado na ética psicanalítica - a saber, na ética do desejo, a qual aponta para um além do princípio do prazer - que possa ser sustentado no meio tecnocientífico, baseado na moral do bem-estar. Em terceiro e último lugar, a pesquisa busca inscrever seu objeto no campo mais amplo das pesquisas sobre a fusão dos corpos e subjetividades com as mais diversas tecnologias contemporâneas. Aqui, por um lado, se destacam os efeitos libertadores da quebra de uma série de noções fundadas na modernidade - tais como identidade, homem e natureza - assim como de uma série de dicotomias de cunho metafísico - tais como corpo/alma, vida/morte e natureza/artifício -; por outro lado, deve-se apreender o novo contexto biopolítico que possibilita o surgimento das práticas e discursos tecnocientíficos e é por eles ao mesmo tempo alimentado.

 

 Julio Verztman

Doutor em Ciências da Saúde/IPUB/UFRJ

Estudo psicanalítico das compulsões em pacientes com diagnóstico psiquiátrico de TOC e patologias afins: uma pesquisa exploratória

Trata-se de um projeto para pesquisa clínica em psicanálise, avaliando aspectos do tratamento psicanalítico oferecido a até 10 sujeitos pelo período mínimo de 2 anos. O critério de inclusão na pesquisa é apresentar sintomatologia compulsiva, e especialmente, mas não exclusivamente, ter diagnóstico psiquiátrico de TOC. A metodologia escolhida será o Estudo Psicanalítico de Casos Clínicos Múltiplos, já utilizado em estudos anteriores do NEPECC e serão analisados 3 eixos principais: presença e qualidade do conflito psíquico; avaliação de aspectos narcísicos em comparação com aspectos edípicos; formas de intervenção e manejo clínico.

 

Pesquisadores Associados

 

Fernanda Pacheco Ferreira

Doutora em Psicologia Clínica, PUC/RJ, 2008

Bolsista PNPD-CAPES

A clínica psicanalítica e a fobia social

A pesquisa visa investigar o quadro de fobia social do ponto de vista da metapsicologia e clínica psicanalítica. No âmbito da metapsicologia, o objetivo é o de apreender neste quadro a especificidade da angústia dentro do espectro mais amplo de outras formas de angústia descritas pela psicanálise. Para tanto, será necessário aprofundar o estudo das diferentes manifestações da angústia, desde a angústia como sinal - que preside ao recalque nos quadros da neurose -, passando pela assim chamada angústia antecipatória - apresentada pelos sujeitos diagnosticados como fóbicos sociais -, até as angústias repetitivas das situações traumáticas. Neste viés, caberá desenvolver a relação entre trauma, estados afetivos e a constituição narcísica. A partir destes estudos, propomos examinar, no âmbito da clínica, a pertinência ou não de vincular a totalidade dos casos de fobia social a um tipo específico de angústia. A possibilidade que de início se apresenta é de que as expressões clínicas da timidez e da vergonha, que acompanham a angústia nas fobias sociais, encontram seu fundamento na constituição narcísica e, por conseguinte, nas experiências traumáticas precoces. Tomando em consideração estas experiências, passa a ser exigido do analista intervenções que atinjam áreas ainda mais precoces do que as visadas pelas interpretações do desejo sexual tal como ocorre na análise das neuroses. Nessa medida, será de fundamental importância a referência a autores que trabalham a relação de objeto visto que privilegiaram essa dimensão da clínica; dentre eles cabe citar Sándor Ferenczi e seus herdeiros diretos e indiretos, tais como Balint e Winnicott.

 

Fabio Malcher

Doutor em Teoria Psicanalítica, Psicologia/UFRJ, 2016

Bolsista PNPD-CAPES

O laço social possível na psicose e no autismo

O laço social pressupõe uma separação entre o sujeito e a alteridade de tal forma que o sujeito abdique de uma plenitude pulsional ao mesmo tempo em que o Outro se torne menos invasivo e ameaçador. Na psicose e no autismo, essa separação entre sujeito e Outro é problemática, o que acarreta em impasses no laço social, que, ainda assim, é possível, como a clínica nos ensina.

A finalidade dessa pesquisa é avançar na exploração do campo do laço social na psicose e no autismo na infância e na adolescência, em especial junto ao projeto de extensão “Circulando entre invenções: um novo dispositivo clínico na clínica de jovens autistas e psicóticos” coordenado pela profa. Dra. Ana Beatriz Freire, de modo a contribuir na formação teórica e clínica daqueles que desejem trabalhar junto a estes sujeitos em direção ao laço social possível.

 

Os impactos discursivos do capitalismo e as vivências de trauma e catástrofe na contemporaneidade

O presente projeto visa explorar a relação entre as noções de trauma e catástrofe na subjetividade e os efeitos discursivos do capitalismo, ou seja, seus efeitos no laço social. A instauração hegemônica do modo de produção capitalista não produz efeitos apenas no âmbito econômico e político, gerando também impactos na subjetividade, em especial, no laço social. O trauma é uma vivência que impacta o psiquismo de modo radical, convocando-o ao trabalho subjetivo como modo de não ficar imerso em uma vivência da ordem da catástrofe, do caos, onde as referências simbólicas se revelam insuficientes. Há uma dupla vertente em jogo aqui. De um lado cumpre avaliar em que medida o impacto subjetivo gerado pelo modo de produção capitalista pode ter uma potencialidade traumática, uma vez que a promessa capitalista de forclusão da castração, mesmo sem se cumprir, afeta a renúncia ao gozo em jogo no laço social, tornando-a cada vez menos aceitável. De outro, cabe explorar o quanto os efeitos subjetivos do capitalismo afetam os recursos do sujeito para lidar com o trauma, na medida em que o declínio da função paterna diminui a potência da metáfora como modo de tratar o gozo, assim como a escansão significante S1-S2 fica comprometida pela aceleração na temporalidade lógica em jogo no discurso, tal como o matema do discurso do capitalista indica pela ligação direta, sem mediação, S1→S2. A presente pesquisa se organiza na dobradiça entre essas duas vertentes, sem a intenção de valorizar uma em detrimento da outra, entendendo que exista uma indissociável relação entre elas.

 

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